A AP Informação foi fechada ontem à tarde numa operação de promotores e policiais civis estaduais. Foram apreendidos material de informática na empresa, mas ninguém foi preso. O conteúdo da página (www.apinformacao.com.br) foi retirado do ar.
Com um clique era possível descobrir endereço, telefone fixo e celular, renda presumida e todos os veículos já registrados no nome do governador de SP, José Serra (PSDB) e do prefeito Gilberto Kassab (DEM) --além da listagem de seus parentes. O atacante Ronaldo, do Corinthians, e a apresentadora Xuxa também tinham os dados no cadastro.
Entre a série de dados disponíveis estava disponível até material sobre os vizinhos da pessoa "investigada".
A apreensão do arquivo de dados sigilosos expõe a corrupção policial nas duas pontas: parte dos dados vendidos era obtida no Detran (Departamento Estadual de Trânsito) e muitos dos clientes da empresa eram policiais do Deic (Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado), segundo declarações do dono da empresa aos policiais que participaram da operação. A suspeita é que os policiais do Deic usavam os dados não para tarefas oficiais, mas aparentemente em extorsões.
De acordo com o promotor Luiz Henrique Dal Poz, o trabalho da Promotoria agora é identificar quem e quais são as fontes de abastecimento dos dados. Em princípio, não vem apenas de um lugar específico --como o Detran--, mas de vários lugares.
O segundo passo é apurar se algum levantamento feito pelo site foi base de atividades criminosas, como sequestro. "Nosso objetivo principal é, primeiro, é cessar a atividade dessa empresa", afirmou Poz.
O exemplo do governador não foi por acaso. A reportagem apurou que, para testar os limites de acesso do site, os promotores pesquisaram nomes de algumas autoridades, inclusive aquelas que têm informações pessoais protegidas. Esses dados só são fornecidos a autoridades com ordem judicial expressa.
Entre os nomes testados estão o de Kassab e o do presidente do Tribunal de Justiça, Roberto Antonio Vallim Bellocchi. Para ter certeza de que as informações eram verídicas, os promotores pesquisaram seus nomes e viram que o banco é verdadeiro.
Serra e Bellocchi foram procurados, mas não quiseram comentar o assunto. Kassab disse, via assessoria, que não irá se pronunciar até tomar conhecimento dos detalhes, mas que, antes de mais nada, classificava a informação como assunto policial.
O dono da empresa que vendia as informações, Alexandre Peric Teixeira, prestou depoimento na tarde de ontem. Durante a apreensão dos objetos, segundo promotores, ele afirmou não ver irregularidade em seu negócio. Na saída do Ministério Público, não quis falar com a reportagem.
Voz informou que, em princípio, tanto Teixeira quanto quem lhe vendeu informações cometeram dois crimes. Um deles por violar dados sigilosos e, segundo, por violar dados do sistema financeiro.
Quanto aos usuários desses sites, o promotor afirmou que, em princípio, ainda não tem uma convicção formada sobre se eles cometeram irregularidades. Isso também dependeria da investigação. (Agorasaopaulo)